DF estará na “série A” do rugby em cadeira de rodas

Pela primeira vez Brasília terá representante na primeira divisão do Rugby em Cadeira de Rodas, com o time Bsb Quad Rugby, que participará do 6º Campeonato Nacional, entre os dias 21e 25, na cidade de Matinhos, no Paraná, com mais de dez equipes confirmadas.

“Estamos indo para a competição comboa expectativa de conseguir, pelo menos, o segundo lugar”, disse à Agência Brasília o jogador Raphael Lucena, que também busca ser convocado mais uma vez para a seleção brasileira.

A viagem do time- único do centro-oeste- terá apoio da Secretaria de Esporte, por meio do Compete Brasília, programa que incentiva atletas do Distrito Federal em competições nacionais e internacionais e beneficiou mais de 1.330 pessoas só nos sete primeiros meses deste ano.

“O rugby vem crescendo bastante no DF e nossos paratletas representam muito bem Brasília. Acredito que eles servem também de exemplo para outros atletas com deficiência que querem conhecer a modalidade”, destacou a diretora de apoio ao atleta, Rebbeca Gusmão.

O BSB Quad Rugby treinava no Centro de Orientação Sócio Educativa (Cose) do Gama, mantido pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest), mas conseguiu, também com a secretaria de Esporte, espaço para treinar no Centro Olímpico da cidade até o campeonato nacional.

“Lá (no Cose) só tinha cobertura, mas não era fechado e quando chovia forte não podíamos treinar porque molhava”, comparou Lucena. Os treinos da equipe agora são realizados três vezes por semana, no ginásio do Centro Olímpico do Gama.

O espaço é o mesmo que sediou, no fim do mês passado, o 2º Aberto de Brasília de Rugby em Cadeira de Rodas, competição com equipes de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, além do representante candango, que ficou em terceiro lugar.

CONQUISTA- A ascensão à primeira divisão do esporte no Brasil era um sonho antigo da equipe, formada em 2010, por Lucena, Léo Amorim, José Higino e Francisco Abrantes.

Mas para Amorim, as conquistas com o rugby vão além dos títulos, já que o esporte foi o principal responsável pela sua reabilitação. “É melhor que fisioterapia”, contou o atleta, que ficou tetraplégico após um acidente na piscina em 2002.

“Começou como socialização, eu ficava sozinho em casa e não via ninguém em cadeira de rodas, me sentia minoria. Agora, em quadra, me sinto maioria”, acrescentou o jogador, que depois do rugby casou, tem mais facilidade de locomoção e até voltou a guiar este ano.

“Fiquei onze anos sem dirigir, quando percebi que conseguia, agora em maio, foi uma sensação maravilhosa. Quando sentei no banco do motorista pela primeira vez a lágrima escorreu do olho”, contou.

Já Lucena, que perdeu o movimento das pernas em 2004 após um mergulho em água rasa, tentou jogar basquete em cadeira de rodas, mas foi apresentado ao rugby por atletas do Rio de Janeiro e descobriu uma paixão.

As conquistas são listadas por ele. “Comecei com cadeira emprestada, nacional, mas daí consegui comprar a minha importada. Já fui pré-convocado para a seleção uma vez e já representei o país em viagem internacional”, disse Raphael.

Único atleta não-cadeirante da equipe, Antônio Manoel é biamputado, e no dia a dia anda com auxílio de próteses. Segundo ele, foi difícil se adaptar ao esporte inicialmente. “Pensei que nem daria conta de tocar essa cadeira, mas comecei a gostar e agora vou longe”, garantiu.

Também integram o BSB Quad Rugby os jogadores José Higino, Wesclei Dourado, Davidson Daniel e André Vasconcelos. A equipe é conduzida pelo técnico Antônio Manuel Pereira e pelos auxiliares técnicos Paulo Higino e Hêvelyn Sant’ana.

CAMPEÕES- A vaga na elite do esporte para cadeirantes foi conquistada pelo Bsb Quad ainda no ano passado, quando os atletas da capital federal foram campeões invictos da segunda divisão na 5ª edição da disputa, realizada no Paraná.

Na mesma competição, o jogador 2.0 José Higino, que atualmente integra a seleção brasileira, foi o artilheiro e o melhor atacante, já o jogador 0.5 Léo Amorim ficou com título de melhor defensor.

Não entendeu o porquê dessa categorização numérica? Veja a explicação a seguir.

No rugby com cadeira de rodas, cada atleta tem um número entre 0.5 e 4.0, que representa a sua classificação funcional, com base na deficiência. A equipe tem até quatro jogadores e pode somar, no máximo, 8.0 pontos para garantir o equilíbrio de competividade entre os times.

O esporte foi criado no Reino Unido em 1845, como variação do futebol americano, e será considerado esporte olímpico e paraolímpico pela primeira vez nos jogos de 2016, no Rio de Janeiro.

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