Deus escreve assim

Há um aforismo que diz: “Deus escreve certo por linhas tortas”. Para quem tem fé e acredita, ou para os agnósticos, que duvidam, a verdade é que isso aconteceu recentemente na vida do marceneiro Adeilson Mota de Carvalho, de 37 anos, pai de três filhos e que morava com a mãe na cidade paraense de Redenção.

Pessoa de boa índole, no entanto ele tinha um ponto fraco: tornou-se dependente de drogas, mais precisamente do crack, uma submistura da cocaína, que está fazendo milhões de vítimas no mundo inteiro e, por tabela, no Brasil. Devido a esse vício, Adeilson se indispôs na comunidade em que vivia e resolveu viajar para São Paulo em busca de trabalho. Mas estava escrito que seu destino era Brasília, onde decidiu desembarcar no meio do caminho.

Sem conhecer ninguém na Capital, depois de guardar sua mala no guarda-volumes da Rodoviária Interestadual, o recém-chegado conseguiu sobreviver por cerca de dois meses dormindo na rua e ganhando uns trocados, ajudando a descarregar mercadorias na Ceasa.

Na manhã de quinta-feira, 22 de agosto, ele interrompeu sua caminhada para pedir informação a um jovem, também morador de rua, que dormia dentro de uma caixa de papelão no estacionamento em frente à antiga Rodoferroviária. Ao encarar o rapaz, Adeílson achou-o parecido com a foto de um estudante, estampada em um cartaz de desaparecido procurado pela família, colocado em vários pontos da cidade.

Ao certificar-se de que se tratava da mesma pessoa, o operário desempregado procurou a polícia e deu um jeito de avisar à família do universitário Felipe Dourado Paiva, de 22 anos, que há duas semanas não voltara para casa, depois de assistir a primeira aula na faculdade Uniceub.

Por pura gratidão, a família Dourado Paiva resolveu adotar Adeilson. Indagado do que mais precisava no momento, ele respondeu que o mais importante era se tratar para curar o seu vício de drogas: “Quero voltar a abraçar minha mãe quando estiver totalmente recuperado, limpo!”.

            O pedido foi atendido: por conta da família Dourado Paiva, o marceneiro paraense está internado numa clínica da Cidade Ocidental, especializada em recuperação de drogados. Lucenir Mota Carvalho, 62, mãe de Adeilson, localizou-o graças ao noticiário. E ela acredita, piamente, que Deus atendeu suas orações, escrevendo certo por linhas tortas.

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