Consulta pública reprova

 

 

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Foto: Marcos Santos/ USP Imagens

A quase totalidade das pessoas que se manifestaram até agora na consulta pública que está sendo realizada pelo Senado Federal é contra a proposta de reforma no ensino médio enviada ao Congresso Nacional por intermédio de Medida Provisória. Numa semana, houve mais de 60 mil acessos.

No mesmo período, cerca de 180 emendas foram apresentadas por deputados – já que a MP será votada primeiro na Câmara –, muitas delas sobre o restabelecimento de disciplinas obrigatórias. Disciplinas como artes, educação física, sociologia e filosofia, seriam optativas, segundo o texto preparado pelo governo. Essa possibilidade de escolha está sendo considerada por muitos estudantes como um ponto positivo. Em relação a línguas, apenas o inglês seria disciplina obrigatória e o espanhol optativa.

 A MP deverá sofrer alterações. É comum as modificações acontecerem tanto na Câmara quanto no Senado Federal. O assunto é polêmico e o debate que está apenas começando. Mas pelos prazos previstos no texto apresentado, as modificações no ensino médio só deverão ocorrer no ano letivo de 2018.

A proposta é ampla e já vinha sendo discutida no governo anterior. O objetivo é atualizar o curso aproximando-o das necessidades e interesses dos estudantes bem como do processo de desenvolvimento global.

 

Escolha de disciplinas

Para P.S.T, 17, estudante do 3º ano de uma escola privada, poder escolher disciplinas é muito interessante. Ele pretende fazer design de produto, também chamado design industrial. “No meu caso escolheria artes, pelo tipo de curso que quero fazer na universidade”, afirmou, demonstrando determinação.

Já J.V.B, também com 17 anos e cursando o 3º ano do ensino médio, acha que “esportes são fundamentais, mas eu não escolheria educação física como optativa”. E completa: “Eu gostaria que fosse como nos Estados Unidos”. Ele exemplificou sua opinião: “Há várias equipes na escola e delas saem os melhores para o time titular”. J.V.B ressaltou seu interesse em participar de atividades assim, destacando ainda que “é bom poder escolher disciplinas que têm a ver com o que a gente quer fazer. Quero Engenharia de Produção, seria ótimo”.

I.L, 15 anos e cursando o 1º ano numa escola pública, também gostou da idéia de poder escolher disciplinas. Ela que quer estudar arquitetura e sua primeira optativa seria artes, pela afinidade com a futura carreira.

Para C.A.S, 16 anos e no 2º ano da mesma escola de I.L, poder escolher é uma “ótima proposta”. Ele quer fazer engenharia mecânica e disciplinas de humanas não estariam entre suas matérias optativas, mas “se física não for obrigatória, será a primeira da minha lista.”

 

Aumento da carga horária

Está na Medida Provisória proposta um aumento significativo de horas/aula. Atualmente são 800 anuais que passariam para 1.400. Nesse ponto P.S.T destaca que não gostaria de ficar sete horas na escola, como propõe o governo. J.V.B, entretanto, acredita que poderia aproveitar mais as atividades em laboratórios e os outros ambientes e recursos que a escola oferece. I.L tem dúvida: “Acho muito chato ficar sete horas na escola”. Pensa um pouco e completa “se fosse para estudar as disciplinas das minhas escolhas, poderia ser bom”. C.A.S foi categórico: “Nem pensar! Quero fazer outras coisas, ouvir música e jogar futebol. Sem essa de ficar o dia todo na escola.”

 

Aulas com especialistas

Outra das novidades da Medida provisória é a possibilidade de especialistas e profissionais do mercado, que não têm formação específica como professores, poderem ministrar aulas no ensino médio. Para os quatro adolescentes, esse seria um ponto muito positivo, uma grande ajuda.

P.S.T destaca que “um designer de mercado, me ajudaria a ver se o que eu quero é isso mesmo”. J.V.B considera que o “aluno ganha”. Para I.L estudar com alguém que lida com a questão ”na prática, seria ótimo, eu ia gostar muito!” C.A.S afirma que gente que já trabalha na área, vai trazer para a sala de aula “só o que interessa na profissão” seria um diferencial. “Muito bom ter aulas com quem põe a mão na massa”, completa.

Os estudantes têm uma opinião comum. Acreditam que se há tanta polêmica entre os especialistas, os alunos também devem consultados sobre as modificações. Expressarem seus pontos de vista e serem levados em conta nas decisões que serão tomadas pelo Congresso Nacional.

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