Coluna Chico Sant’anna

WikiLeaks no Buriti

O Governo de Brasília deu início a uma campanha de blitzes de trânsito. Além de tirar os maus motoristas das ruastabela-bltzes-com-moldura, a
pressão visa melhorar a arrecadação fiscal. Com o caixa quebrado – estima-se um rombo de R$ 1 bilhão até o fim do ano – e um volume recorde de proprietários de veículos inadimplentes (430 mil) com o IPVA, os cofres públicos podem receber um reforço de R$ 225 milhões com o recolhimento do tributo e da taxa de licenciamento.

No entanto, o que deveria ter sido uma operação surpresa pelas ruas de Brasília, caiu no domínio público. Imagens de documentos em papel timbrado do Detran com as escalas de operações vazaram nas redes sociais. O documento compartilhado, principalmente via Whatsap, relaciona datas, horários de início e de término e locais onde os agentes do Detran-DF entrariam em ação.

Também é detalhado se haveria bafômetro disponível para medir o nível de alcoolemia dos motoristas. No documento, aparecem operações previstas no período de 6 a 27 de outubro. Também foram publicizadas nas redes sociais operações da Companhia de Polícia Rodoviária do DF.

Em sendo verídicos o documento e as informações que circulam nas redes sociais, elas revelam, antes de tudo, um despreparo das instituições de segurança pública do Distrito Federal quanto ao sigilo de suas operações. À imprensa, o chefe de Fiscalização do Detran-DF, Silvain Fonseca, não confirmou a autenticidade do documento, mas admitiu que os vazamentos são frequentes. Porém, minimizou, dizendo que os vazamentos não influenciam os resultados das operações. A postura de Silvain Fonseca é curiosa, pois, alertado, o motorista inadimplente evitará os locais onde há previsão de blitz.

Ficam algumas dúvidas importantes:

  • A segurança e o sigilo das operações de segurança pública do GDF são deficientes? Como que documentos em papel timbrado do Detran-DF chegam ao domínio público?
  • Ou será que o vazamento é represália dos atores da segurança pública ao Governo do Distrito Federal em decorrência das questões não atendidas dos reajustes salariais dos servidores?

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Combate à grilagem

O combate à grilagem e invasão de terras públicas no DF tem avançado graças à ação da Justiça e do Ministério Público. Depois de mandar desocupar as margens do Lago Paranoá, o Tribunal de Justiça do DF, por meio da Vara de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Fundiário, determinou à Agefis que retome as operações de fiscalização na área do Condomínio Privê Morada Sul Etapa C, no Altiplano Leste, e promova a demolição das construções ilegais, bem como a apreensão e remoção de materiais de construção encontradiços no local. Mandou inclusive realizar tais operações com o auxílio de força policial.

A Justiça já deferiu à Terracap a reintegração de posse das áreas onde estão os loteamentos. E se o governador Rodrigo Rollemberg for ágil e liberar rapidamente a área, ali poderá estar a solução para o caixa quebrado do GDF. Especialistas estimam que a comercialização em lotes da área grilada renderia cerca de R$ 2 bilhões ao Distrito Federal. Cabe ao governador decidir. A solução dos problemas financeiros do GDF está nas mãos dele.

           

Não é como parece

A amigos do governo, Rodrigo Rollemberg tem dito que nas suas equações políticas o espaço do deputado Rogério Rosso (PSD) é garantido. Rollemberg pode até estar contando com a manutenção da dobradinha PSB-PSD para a sucessão. Rosso, contudo, tem se comportado como se fosse mesmo abraçar a candidatura de Tadeu Filippelli (PMDB).

Nos últimos dias, as redes sociais registraram, na Candangolândia, atividades políticas dos dois junto a integrantes das carreiras de segurança pública. Rosso, Filipelli e o senador Hélio José estavam juntos e pediram aos presentes união no apoio a eles no processo político.

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