Brasília sob o flagelo da seca nordestina

 

Foto: Wilson Dias/ABr

Quando cobri jornalisticamente várias secas no Nordeste, testemunhei o que o genial Luiz Gonzaga transformou em libelo musical com a sua imortal Asa Branca,a exemplo destes versos:

“Quando olhei a terra ardendo / Qual fogueira de São João / Eu  perguntei a Deus do Céu, ai / Por que tamanha judiação! / Que braseiro, que fornaia / Nem um pé de prantação / Por falta d’água, perdi meu gado, morreu de sede meu alazão…”

Jamais esqueci do encontro com flagelados nordestinos morrendo de fome, acompanhados de crianças com barrigas inchadas de “fazer tim-tim” de tanto comer barro. Cenas que provocaram lágrimas de meu saudoso colega fotógrafo Jankiel Gonzgarowska, rebocadas às minhas como se fossem enxurradas de revoltas contra Deus do Céu, em geral, e contra governo, em particular.

Mas jamais imaginei que, quase meio século depois, eu sofreria na pele o improvável flagelo da seca aqui em Brasília, ficando sem água nas torneiras de meu apartamento em plena Asa Sul. Isso levou nossa família à opção de dormir em hotel no terceiro dia, para não morrer sufocada com o fedor das latrinas entupidas de fezes.

Aí, me perguntei: o que foi feito da tão badalada obra da represa Corumbá IV, que começou a engolir milhões de reais, em 2011, e que pretendia suprir de água potável o DF e Goiás?

Na condição de jornalista, escrevi várias reportagens sobre o empreendimento que funcionava com máquinas ultramodernas e  engenhosidade de alto nível mundial. E, afinal, o que aconteceu com a grandiosa obra, digna de orgulho nacional? Surpreendentemente, foi à falência devido à irresponsabilidade dos governos central do DF e do Goiás.

Não sou eleitor e nem advogado do atual governador, mas Rollemberg não tem culpa por estarmos cheirando cocô e tomando banho de cuia dos garrafões de cinco litros de água mineral Indaiá. Até muito ao contrário. Ele até já conseguiu verba federal para construir uma usina de captação hídrica do Lago Paranoá. E também, não incluam o Deus do Céu nesse crime de lesa-pátria.

Na certa, quando Ele fez o Brasil, jamais imaginou que no mapa de tanta beleza viria um número tão grande de políticos corruptos, acoplados a empresários idem larápios, que estão comercializando a nosotros gêneros alimentícios podres,além de ganhar bilhões de dólares vendendo gato por lebre a outros países ―, aliás, vergonha de repercussão internacional!} else {

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