Ataques de escorpiões assustam a capital federal

 

Os ataques de escorpiões feriram, na última década, mais de 3,4 mil pessoas na capital federal. O aracnídeo se tornou um problema crônico da cidade e, segundo a Diretoria de Vigilância Ambiental em Saúde (Dival), de difícil controle. Os acidentes saltaram de 148, em 2005, para 562 no ano passado. Entre janeiro e março deste ano, o número cresceu 11,4% na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados mais recentes da Vigilância Ambiental apontam que foram 244 ocorrências no período, contra 219 nos três primeiros meses de 2015. No total, 382 pessoas tiveram de ser hospitalizadas.

A Secretaria de Saúde mantém 10 equipes em sentinela para inspeções de animais peçonhentos nas 31 regiões administrativas. O trabalho é decorrente das solicitações realizadas por telefonemas, e-mails e ofícios enviados pela população. A Dival recolheu, até 20 de julho, 570 escorpiões — 61,5% do registrado em todo 2015. Os acidentes no DF são mais frequentes em setembro e em outubro, meses mais quentes, e menos frequentes entre maio e julho, época de frio, de acordo com o Relatório Epidemiológico Sobre Acidentes por Animais Peçonhentos da Secretaria de Saúde.

 
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Foto: Reprodução Internet
Desde 2006, a escala de agressões está em ascensão (veja Alerta). A mais recente vítima é uma enfermeira do Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Ela sofreu o ataque de um escorpião escondido no armário de material para cirurgia, na sala de recuperação de anestesia. O local é frequentado também por pacientes. A Vigilância Ambiental fez uma varredura no local e recomendou a limpeza. Segundo a direção da unidade de saúde, a funcionária recebeu atendimento e passa bem. Na semana passada, Luan Pereira Guedes, 4 anos, morreu após ser ferido na mão enquanto brincava em casa, em Planaltina.

Os escorpiões estão espalhados por todo o DF, mas não de forma homogênea. Taguatinga, Asa Norte e Asa Sul apresentam maior incidência, segundo a Secretaria de Saúde. O biólogo da Dival Israel Martins acredita que o ambiente urbano se tornou um bom lugar de reprodução para o aracnídeo pela oferta de água, abrigo e alimento. “A cidade guarda um subterrâneo que as pragas costumam habitar, como ratos, baratas e escorpiões. É um submundo favorável à sobrevivência deles e que tem ligações com as nossas casas”, explica.

Difícil controle
Os escorpiões vivem até 5 anos. Por ano, as fêmeas têm, em média, quatro gestações, que variam entre 15 e 20 filhotes, cada. Algumas espécies podem chegar a 7cm de comprimento na vida adulta. No DF, três espécies ocorrem com maior frequência (leia quadro). A Vigilância Ambiental se ancora na habilidade de procriação sem parceiro sexual e na adaptação a abrigos urbanos, como caixas de esgoto, de luz e de telefone, para explicar a disseminação do bicho na cidade. Além disso, segundo o órgão, a ocupação irregular do solo, o crescimento populacional e o fluxo de material de construção explicam a ampla distribuição. Apesar das estatísticas, Israel minimiza a gravidade dos ataques. “No DF, os acidentes são mais leves e menos perigosos. Restringem-se a sintomas como dor local, e a pessoa evolui para um quadro normal”, afirma. A Secretaria de Saúde não divulgou quantas pessoas morreram em 2016 vítimas de ataques de escorpiões e de outros animais peçonhentos.

Esses aracnídeos começaram a se proliferar na capital federal na década de 1970. Para Israel, ainda há poucas pesquisas sobre os efeitos de inseticidas e de outras técnicas para controlar a população do animal no ambiente urbano. A Secretaria de Saúde não utiliza nenhum método de contenção do bicho, como produtos químicos e armadilhas, além das visitas em locais onde houve denúncias. “Ele não morre com facilidade. Consegue, por exemplo, ficar sem respirar na água e reemergir sem problemas. Ainda não temos soluções químicas eficazes”, detalha o biólogo. Israel explica que a única maneira de evitar acidentes é criar barreiras físicas, como tapar ralos e tubulações.

 
 
 
 
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