Arquivo Público do DF recebe acervo da bailarina Asta-Rose Alcaide

O acervo da bailarina Asta-Rose Alcaide passou aos cuidados do Arquivo Público do Distrito Federal nesta sexta-feira (24). O material doado pela família da artista inclui fotos, cartazes de peças e documentos que comprovam as atividades por ela desenvolvidas como assessora cultural da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília e diretora artística da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro.

Silvia Jordan de Oliveira, de 74 anos, é sobrinha de de Asta-Rose Acailde. Nas mãos, o cartaz de uma ópera trazida a Brasília por Asta-Rose em 1988. A peça também foi doada ao Arquivo Público do Distrito Federal.
Silvia Jordan de Oliveira é sobrinha de Asta-Rose Alcaide. Nas mãos, o cartaz de uma ópera trazida a Brasília pela bailarina em 1988. A peça também foi doada ao Arquivo Público do DF. Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília

Entre os bens repassados ao órgão estão 23 metros lineares de documentos textuais, 50 cartazes de espetáculos, 200 slides, ampliações fotográficas em seis álbuns e quatro caixas, além de dois disquetes.

A guarda do patrimônio foi requisitada pelo governo de Portugal, país em que Asta-Rose viveu por décadas e terra natal do marido, o tenor Tomás Alcaide. Mas a entrega atendeu a um desejo da bailarina, de acordo com a sobrinha dela, Silvia Jordan de Oliveira, de 74 anos, que participou da doação nesta sexta: “Ela adotou Brasília como cidade”.

O superintendente do Arquivo Público, Jomar Nickerson de Almeida, comemorou a decisão. “A permanência do acervo nos deixa muito felizes. Assim, poderemos dar tratamento e, posteriormente, colocar para acesso ao público.”

Escola de Música herdará objetos culturais de Asta-Rose Alcaide

Bens culturais de Asta-Rose Alcaide foram doados para a Escola de Música de Brasília. São livros, partituras, discos em vinil e fitas magnéticas de óperas.

“Ela não queria que o material ficasse restrito a uma elite já formada. Então, nada melhor que ele esteja à disposição dos alunos. A cidade é um celeiro de músicos, e isso tem que continuar a ser incentivado”, argumentou Silvia. A sobrinha-neta da bailarina, Cristina Weber, também estava presente na assinatura do termo de doação.

No Instituto Histórico e Geográfico do DF, por sua vez, será montado um ambiente Asta-Rose, com cadeiras e quadros da casa da artista.

Medidas para preservar o material doado ao Arquivo Público do DF

Com a cessão dos documentos para o Arquivo Público, será possível analisá-los e catalogá-los de acordo com o grau de relevância. Para isso, o órgão faz a higienização do material, com a retirada de grampos, por exemplo, e o armazenamento dele. O procedimento impede a ação de ácaros e outros agentes de decomposição, como mofo.

O material doado será analisado, tratado, e colocado a disposição do público.
O material doado será analisado, tratado, e colocado à disposição do público. Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília

Em seguida, os registros são separados de acordo com a área — se pessoal, profissional ou familiar. Para que seja mais fácil recuperar algum item de pesquisa, é feita a descrição de cada componente. Por fim, elabora-se um instrumento de pesquisa para acesso pelos interessados.

Quem foi Asta-Rose Alcaide

Nascida em Joinville (SC), em 20 de maio de 1922, Asta-Rose Alcaide mudou-se para Brasília em 1975, a convite da Embaixada dos Estados Unidos para atuar como conselheira cultural.

Dois anos depois, fundou a Associação Ópera de Brasília, com o objetivo de fortalecer a divulgação e a produção de espetáculos na cidade. Foi a responsável por criar o cenário e o figurino de peças como Ópera Carmina Burana, Carmen e A Flauta Mágica. Presidiu a associação de 1984 a 2010.

A experiência como bailarina — ela integrou o corpo de baile do Teatro Municipal de São Paulo — e a admiração pela música lírica deram-lhe reconhecimento internacional. Apresentou-se em teatros no Brasil e fez turnês por outros países da América do Sul.

Foi casada com o tenor Tomás Alcaíde, de Portugal, país onde morou antes de chegar a Brasília. Em 20 de novembro de 2016, morreu vítima de um acidente vascular cerebral.

A atuação de Asta-Rose foi essencial para a consolidação da cena cultural do DF, de acordo com a gerente de Divulgação do Arquivo Público, Cleice Menezes. “A partir do momento em que temos uma figura que atuou tanto para a área, devemos manter a memória preservada não só por ela, mas pelas atividades que desempenhou.”

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