Alto risco sobre duas rodas

André (acima) sofreu fratura na coluna. Foto: reprodução Whatsapp

O primeiro trimestre de 2017 termina com o registro de duas vítimas fatais em acidentes envolvendo bicicletas e carros. No sábado (25), uma camionete Land Rover, com placa de Goiânia, em alta velocidade, atropelou os ciclistas José Mário, 56 anos, e André Pontes, 39. José Mário foi submetido a cirurgia de emergência para conter uma hemorragia no quadril e continua internado na UTI do Hospital de Base com traumatismo craniano. Também levado para o HBB, André foi liberado horas depois. Ele sofreu escoriações por todo o corpo e uma fratura na oitava vértebra da coluna cervical.

A coordenadora-geral da Organização Não-Governamental (ONG) Rodas da Paz, Renata Florentino, atribui a falta de segurança dos ciclistas à alta velocidade desenvolvida pelos motoristas do DF. “Além do limite das vias ser alto, Brasília tem pistas que induzem os condutores a andar mais rápido. Isso tem que ser combatido com fiscalização dos órgãos e com a educação dos condutores”, afirma. André Pontes diz que “a questão não é educação e, sim, haver um limite. Eles não respeitam a vida”.

 

Interminável – O debate sobre ciclovias e ciclofaixas no DF é amplo e interminável. O último dado que se tem quanto ao número de ciclistas é de 2008, quando existiam 200 mil usuários de bicicletas, segundo a Rodas da Paz. A quantidade aumentou com o crescimento demográfico e a popularização do esporte e do uso da bicicleta como meio de transporte.

Ciclofaixas – A extensão da malha cicloviária no DF chega a 420 Km, sendo 355,7 Km de ciclovias, 7,6 Km de ciclofaixas e 56,8 Km de acostamentos cicláveis. Apesar de apontadas como solução pelo GDF, as ciclofaixas não são unanimidade entre os ciclistas. A maioria deles entende que elas não dão segurança aos praticantes da modalidade, já que é recorrente a falta de respeito dos motoristas com os ciclistas em áreas onde acaba essa sinalização.

José Mário passou por cirurgia no quadril e segue na UTI, com traumatismo craniano. Foto: reprodução Whatsapp

Segundo o ciclista Fabrício Lino, as ciclofaixas do Lago Sul e do Lago Norte são boas para transitar, mas nos fins de semana os atletas se deparam com lixo jogado no chão por motoristas e pedestres. “Frequentemente, encontramos garrafas de cerveja quebradas no chão. Ao se deparar com a situação, o ciclista é obrigado a usar a faixa de rodagem e dividir espaço com os carros”, diz Fabrício.

Ciclovias – Mesmo precisando de novas ciclovias para atender toda a população, as existentes carecem de manutenção. No Eixo Monumental, por exemplo, é possível encontrar desníveis, rampas e até buracos, que prejudicam a prática do ciclismo. As ciclovias também são utilizadas por pedestres. O trânsito ocorre com mais frequência em áreas onde não existem calçadas, mas há quem utilize o espaço por opção.

Se os problemas são vistos por quem usa a bicicleta apenas para se locomover, os que a utilizam para a prática esportiva têm ainda mais dificuldade. As ciclovias foram projetadas para os ciclistas transitarem a, até, 22 Km/h, o que prejudica os praticantes de alto rendimento. As pedaladas de atletas podem chegar a 60 Km/h.

Autódromo – O autódromo era o local preferido dos atletas. Porém o espaço foi fechado em 2015 e reaberto apenas na terça-feira (28). Com isso, mesmo com ciclovias e ciclofaixas, os praticantes da modalidade tiverem de recorrer às ruas.

Alta velocidade

O acidente do último dia 25, no Setor Noroeste, teve como vítimas, o professor de Educação Física André Pontes e seu amigo José Mário. Eles foram atropelados por um Land Rover, que, segundo André, estava acima da velocidade da via (60 Km/h). Ele conta que o veículo acertou primeiro José Mário, que estava no lado oposto da pista. Ao tentar desviar do ciclista, o condutor perdeu o controle do carro, cruzou as quatro faixas com os freios acionados, até atingi-lo. O motorista prestou socorro e não teve sua identidade revelada pela polícia. Ele disse que José Mário entrou na pista onde trafegava.

Em janeiro, um homem não identificado morreu depois do choque entre sua bicicleta e uma carreta. Em fevereiro, outro homem, igualmente sem identificação, também não resistiu aos ferimentos provocados pelo atropelamento.

No dia 11 de março, outro ciclista que treinava com um grupo foi atingido por um carro na ciclovia do Lago Sul, na altura da QL 20. O motorista não prestou socorro.

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